quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

ARQUITETURA ORGANICISTA RESISTE AO TEMPO

 
Casa Fallingwater

Para americano Frank Lloyd Wright (1867-1959), as casas deveriam atender às necessidades das pessoas como um organismo vivo e respeitando a natureza, um conceito que influenciou arquitetos em todo o mundo no início do século XX e que continua atual. "Suas obras utilizavam materiais naturais e ele se preocupava com os detalhes na forma e nos espaços", explica a Profa. Ana Tagliari, do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Nove de Julho (UNINOVE), que desenvolveu a pesquisa de mestrado "Os princípios orgânicos da obra de Frank Lloyd Wright: uma abordagem gráfica de exemplares residenciais" e recebeu o prêmio Franklin Delano Roosevelt de Ciências Sociais 2009, da Embaixada dos Estados Unidos, na categoria Melhor Dissertação de Mestrado.

Na década de 1940, o arquiteto brasileiro João Batista Vilanova Artigas projetou alguns edifícios com influência de Wright na cidade de São Paulo. Sua obra mais conhecida com essa inspiração foi a Residência Rio Branco Paranhos, construída em 1943, no bairro do Pacaembu. Além dele, Galiano Ciampaglia, Rino Levi, Eduardo de Almeida, Mauro Munhoz e Miguel Forte, também foram influenciados pelo arquiteto americano.

A herança artística de Wright inclui por volta de 1.000 projetos, entre construídos e escritos, que influenciaram gerações de arquitetos e de artistas no Brasil e no mundo. Apesar disso, há poucas pesquisas sobre ele no País. "Com este material em língua portuguesa e disponível ao acesso público pela internet, acreditamos criar condições para que se estabeleçam conexões, análises, comparações e pesquisas entre a obra de Wright e a arquitetura e a cultura no Brasil", avalia a pesquisadora.

Grande parte da obra residencial de Wright é baseada numa metodologia de projeto a partir da idéia de pré-fabricação e modulados, que tornam a construção mais acessível, sem abrir mão da beleza. Além disso, são perfeitamente adaptáveis à realidade brasileira. "A Arquitetura Orgânica não tem prazo de validade e nem faz parte de um pensamento ultrapassado, é contemporânea e está em sintonia com as preocupações atuais. O respeito à natureza e a economia de materiais são, sem dúvida, aspectos que devem ser cada vez mais valorizados pela arquitetura mundial", conclui.

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